quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Anatomia do desejo.


Eu aprecio sim a beleza
Mas aprecio a beleza dotada de poesia
Não essa que passa horas na academia
E sai andando com ar de realeza.

Eu gosto do desejo que é vivo
Não esse hiato televisivo

Eu gosto do desejo que tem cheiro,
Cor e carne e lágrima.

Não gosto desse curto passeio
Sem dor e sem mágico

Não gosto das mulheres de plástico.

Uma estrofezinha safada que ficou boa.

Devido ao preciosismo gramatical.



As pessoas monótonas temem a rotina e a mesmice
Mas eu regozijo o poder de ser todo dia a mesma coisa
Pois de dentro para fora nunca se é o mesmo
Nunca duas metades formam um só inteiro
E assim a vida se transmuta em várias outras.

Boo King.

Como ser um livro.

O problema da literatura
É que a gente se acostuma
A sair deste palco
A não ser mais um espetáculo.

O problema da literatura,
É não ter que disfarçar um vazio
É contemplar a ternura

De preenchê-lo com livros.

É ficar assim no canto
Sem um problema distinto
E ser feliz no entanto.

É saber da poesia
Da arte e da loucura.
Este é o problema da literatura.

domingo, 16 de setembro de 2012

Um pouco sacana.


  Difícil não é sorrir, é deixar de fazê-lo. E como todo sonho um dia acaba na realidade, precisamos momentaneamente nos deparar com o fato de que a tristeza é necessária. É o café depois do porre.
  Talvez se dermos um nome mais bonitinho e convincente - Misantropia aliada à introspecção - não disfarçaremos o fato de que a tristeza é necessária. A felicidade embreaga, tira a dimensão dos fatos e faz você enxergar tudo dobrado. Já com os pés no chão e o cheiro de queimado é mais fácil, tem gente que até se arrisca esquentar um pouquinho na lareira dos sentimentos carbonizados.
  E a capacidade das minhas reflexões fugiu o meu plano de existência, já não confabulo sobre trabalhos e estudos, sobre amores e até o maldito canudo. Isso já é da terra, eu ando nos céus de Passárgada como um livre caminhante.
  Não temo a morte a pobreza e a insanidade. O que eu temo é a falta de sacanagem, de clichê e de soluços. Ora, se é para viver, vivemo-lo.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O viajante.


Viajante perdido através das dimensões do belo,
Do correto, do sinistro e do eterno
Diz-me com sua visão de eterno navegante
Qual das passagens que te traz mais perto?

Qual o segredo e os traços necessários
Para se fazer a alma vibrar como um raio
Qual beleza te toca, te seduz e te larga
Sinto ainda um amargo gosto de ressaca
Das dores do último amor que amei.

Se é a liberdade, ou o retesar dos lábios
Que torna lindo a pureza do otário
Ah, o amor é uma das fontes mais exuberantes
E mais divinas da nossa arte.

Viajante dos passos despretensiosos
Será que é no acaso que reside a sabedoria?
É a nossa alma que precisa estar vazia
Ou transbordando pelas margens.

E se as palavras encontram a verdade
Logo transmutam-se em pedaços de tarde
Ensolarada e fria como só o inverno
Pode trazer aos nossos corações.

Responde-me espírito dos que vagam
Desses que vivem perdidos em olhares
Quais das belezas tocam nas almas
E quais outras fazem com que sangrem?


Sabido é o rio que flui através das Eras
E não se ocupa de tais ingenuidades
Já nós, perambulamos por estas terras
Até que tenha fim a nossa viagem.

sábado, 30 de junho de 2012

O uivo do Lobo/ The lonely wolf.

I'm the lonely wolf who wanders through the shadows of the night
Where the foolish desires of a heart's man can't ever possibly think to be in.
I'm the lonely wolf who wanders through the shadows of the death
And fears nothing but the shape of itself.

I'm the lonely wolf who holds keys to the other half of myself
Where the locked outrageous songs remain in silence and eternity.

I'm the true lonely wolf, that ever, forever - walks alone.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sobre as relações humanas.


   Há sempre uma expectativa no que diz respeito às relações sociais. Relacionar-se com as outras pessoas é uma espécie de arte teatral com ares de tragédia e gênero épico ao mesmo tempo. Somos suscetíveis aos nossos sentimentos e fragilidades mas ao mesmo tempo temos de ser invulneráveis e verdadeiros. Que arte é amar as pessoas. Que arte é amar a si mesmo. Um conhecimento infindo.
  Sabedoria é algo que se acumula durante a vida. Pode ser talvez adquirida de livros ou conselhos de quem é mais experiente, mas só se faz viva quando estamos diante da situação chave, que produz em nós medos, alegrias e frustrações. Aquele que presta atenção à vida e aos próprios sentimentos sabe que a decepção é muito mais presente que a alegria e a vitória. Alegria então, é algo tão efêmero e vulgar que um bom sábio distingue a alegria do momento da felicidade de viver. Uma coisa é passageira, a outra é uma virtude. E ainda há os que confundem alegria com euforia, e passam a viver a vida como loucos desvairados.
  Saber lidar com as decepções. Conhecer a solidão tão bem quanto as paredes da casa em que vive. São coisas que eu julgo necessárias para se viver com saúde. Solidão não é mais do que a soma dos egoísmos com  uma autoestima pertubada. Nunca estamos realmente sozinhos, só consideramos que um ou outro indivíduo por motivos variados não devem conviver conosco. E aí ficamos cada vez mais só, criando barreiras e muros de qualidades a serem preenchidas antes de se conviver com a pessoa. E isso é péssimo pois, muitas vezes durante o convívio descobrimos coisas fantásticas e maravilhosas em pessoas que não esperávamos nada!
  Engolir o orgulho. Ah, que parte difícil essa! Pedir desculpas quando se está errado, correr atrás da pessoa que se ama, fazer todo o possível para trazer o ente amado para perto. E isso inclui abrir mão de muitas coisas, fingir estar errado mesmo estando certo... E tem outra coisa que as pessoas fazem muito que é péssimo para qualquer convivência - Marcar o quanto um fez e o que o outro deve fazer - Ora, o amor deve ser espontâneo! Como é que se vai medir numa tabela quantas carícias e favores tem de um lado e do outro? Afeto não é mercadoria, não pode ser quantificado! Aprenda a conviver com isso e a dar mais do que receber, e assim o mundo será muito mais agradável.
   Enfim, eu sempre acabo me surpreendendo com as pessoas. Nunca se pode achar que já sabemos tudo sobre os outros porque nunca sabemos realmente de nada. A criatura humana é magnífica devido a essa gama de atitudes e ações imprevisíveis. Entregar-se ao imprevisível, sair um pouco do casulo pode ser a melhor forma de se aproveitar a vida e a vivência com o próximo. Decepções? Faz parte.

sábado, 12 de maio de 2012

Labirintos.

This is it
This is my last goodbye
Holding this picture of you
Saying I don't want you by my side.

This is true,
What was left of us
What was living between us
Has faded from red to blue.

This is me,
This is the last time I see you
This is the last time I come through
This dark empty memories.

In the deep of your eyes
I've seen a future by your side
I've dreamed with a thousand futures
But now they're no more than ilusions
This is my last goodbye.

domingo, 8 de abril de 2012

Nicotina.

Fumar não enquanto vício,
mas enquanto ato reflexivo.
Beijar a morte inúmeras vezes
Saborear sombrios prazeres.

Observar a vida como fumaça
Suas tantas mágoas perdidas
Nossas esperanças tão raras
E tão brutalmente finitas.

Amargo disprazer é a vida,
Já não encontro vontades
Depositadas neste cinzeiro
Que é a realidade.

Querer, sonhar, um dom raro
Saber dosar as tragadas doentias
Saber quando apagar o cigarro.

Fumar enquanto suicídio
Morre-se um pouco de nós
Vive-se um pouco deles.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A vitória sobre a herança social

 Nós nos acostumamos a lutar e morrer em guerras que não são nossas, e depois reclamar que não realizamos os nossos sonhos. Poucas são as vontades verdadeiras, os desejos que partem do âmago e que são capazes de alterar a realidade em que vivemos. Nós somos seres fracos de vontade, normalmente persuadidos por outras pessoas a achar que algo é melhor, quando na verdade não é. O difícil é quando se acorda dessa luta maldita tarde demais, ou nunca se acorda.
 Não é raro eu conhecer pessoas em meia idade ou quase no final da vida, que não conseguem achar motivo nenhum para entender porque viveram da forma que viveram. Não há sentido, remédio, palavra que cure essa dor. Essa dor de ter ficado a vida toda inerte preso aos pesadelos que a nossa malha social nos impõe, arrancando nossas asas e castrando os nossos sonhos. Liberdade? Duvido muito.
 E aí o indívio se encontra lá nos seus 50 anos, casado, filhos criados ou já na faculdade e aí? E aí meu irmão, o que você fez de bom nessa vida? O que vai fazer para mudar o resto? Não adianta se separar e casar com uma mulher mais nova, não adianta comprar uma moto de 600cilindradas e atropelar os próprios sentimentos. É preciso respeitar os sinais, sinais de nossa própria consciência e buscar no fundo uma forma de rever, ou mudar o próprio caminho.
 É por causa dessa guerra que uma boa parte de mim morreu. Hoje me sinto muito mais livre, totalmente independente para escolher algo que eu queira. Eu causo medo no sistema, e medo nas pessoas. Medo nas pessoas que supõe que uma coisa anule a outra, liberdade e felicidade, reciprocidade e perserverança - Não. Nós não precisamos morrer aos poucos, porque quando formos lamentar já será muito tarde.


Dedico esse texto especialmente para o Renato de Paula, que é uns do que já se libertaram.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Cadê a certeza que antes me era abundante?

 Estou em um momento que me vejo afogado em reflexões sobre o passado e sobre o presente, parte de mim busca respostas impossíveis escondidas em algum canto-não-devastado da lógica. A outra parte busca se reafirmar nas certezas antigas, no que me é calmo e confortável. Tenho medo do novo, culpa do passado, que me fez covarde. É difícil sair da caverna e olhar para a luz. É difícil descer da torre das mágoas cristalizadas e se deixar tocar por novas experiências.
  Não sinto vontade de conhecer novas pessoas, não sinto vontade de viver novos dias... quero apenas o que me é conhecido e eterno, quero o calmo frio do inverno. Já é verão a tanto tempo que eu nem sei mais como é se sentir sereno e dono de si. O calor me perturba, com sua agitação incessante aumentada pela visão econômica do que é essa estação. Se o ano fosse um trem, eu pularia o verão – pegaria um expresso outono- e sairia direto no plano concreto.
  Eu estou enjoado... vivo um dilema entre minha vida atual e o que ela pode vir a ser, hoje me questionei novamente se eu venci a depressão. Às vezes a gente olha pro lado e quando menos percebe lá está ela tirando a graça de tudo e tornando tudo amargo e duro.
  Infrutífero este solo onde jogo minhas emoções – consigo ouvi-las caindo no chão e se partindo feito vidro barato... Até que ponto o ser humano consegue ser maltratado e continuar vivendo? Restou pouco de mim, tão pouco que eu me sinto como meia pessoa ocupando um corpo todo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Lacre do destino.

  Não me atrevo a pedir ao vento que me traga uma rosa perfumada, pois vivo no jardim da saudade. Saudade do que não existiu, que eu não me permiti viver... saudade do que me foi roubado antes mesmo de ter saudade, só pode ser saudade pois me é tão familiar.
  Esses sentimentos controlados tão frágilmente, esse aquário sempre prestes a estravazar um oceano inteiro... tiro certeiro sim, sempre no alvo errado. Porque então eu estou tão estagnado, lacrado aqui nesse frio - é verão lá fora. Queria entender a rosa que eu nunca vi, o perfume que eu nunca senti. Ainda assim me é tão familiar quanto o suor da cerveja em cima da mesa, quando o doce do chocolate na boca, essa sensação duradoura de que algo me foi injustamente surrupiado. Trouxeram-me à vida sem mais propriedades, pois me desproveram de felicidade.
  Não vou chegar aqui e dizer -Eu não sou feliz. Que absurdo. Não sou daqueles que vivem em eterno luto, que comem tudo com gosto de arroz passado... eu sou novo e arrisco dizer que tenho algum vigor. Só não tenho o vigor do primeiro amor, nem a capacidade de sonhar com tais infamidades... estou largado aqui no canto. É o preço de não se vender, de não se deixar enganar por qualquer propaganda de álbum de figurinhas... sinto o cheiro da banca de jornal tão lotada de novidades revisitadas.
  Eu estava esperando para escrever esse texto, pois ele é mais para mim que para os outros. Eu sinto que preciso por isso para fora, quem sabe tal qual a borboleta ao abandonar o casulo, isto se torne belo. Povoar de belas imagens o sentimento. Eu não sofro, não. Sou feliz sim moça bonita que cruza na praça às quatro da tarde. Que besteira que estou dizendo, até as crianças que mal andam sentem o peso no meu olhar. Custa tanto ser intenso, mas eu jamais poderia ser de outra maneira.
  É isso, segue a vida, sua trajetória rotineira escondida nos entrespaços da nossa humilde sanidade. Sejam curtos períodos. Ou longos. Vou poupar uns paradoxos para exemplificar o meu sentimento, você leitor, neste ponto sabe exatamente do que estou falando.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pégaso.

Eis que eu me encontro aqui novamente, subjugado pelo mais belo e imortal dos sentimentos. Amor, quantas vezes lhe maltratei em versos malcriados e revoltados com o pesar da tua ilusão. Porém hoje, o amargo dissabor da tua essência não permanece em meus lábios, tampouco em minha prosa. Hoje Amor, eu lhe farei justiça. Pois ao mesmo tempo que é cruel e amargo é também infinitamente doce e prazeroso.
Amor hoje eu reconheço que é você que faz as cordas do violão balançarem, hoje eu sei que é você que faz o arrepio percorrer o corpo e a alma, hoje eu sei que é você que faz a brisa tocar a pele e o vazio. Que sensação apavorante e ao mesmo tempo deliciosa estar sob o encanto da tua magia. Porém hoje não deixo a mágoa falar, hoje eu sei que tu elevas a minha alma ao estágio mais belo da percepção, onde até o chacoalhar do ônibus vira poesia.
Quero perceber tudo, daqui em diante, com mais amor nos olhos. Quero perceber a vida de uma forma mais suave e mais bela. Sou muito jovem para jogar uma pá de cal nos sonhos e simplesmente não me atrever a ir buscá-los. Sou muito jovem para impedir meu coração de amar, não importa quantas e quantas vezes eu venha a sangrar e sorrir. Não estou cansado nem com medo, estou disposto a sofrer o quanto for necessário, pois a recompensa de se sentir completo, aquecido e encantado vale qualquer esforço.
Por isso amor, não abandone este jovem que lhe fala. Renove sempre esse magnífico dom de se apaixonar, pois sob tua esfinge eu serei eternamente vivo, amor, não me deixe. Não deixe que eu me acovarde no canto, e que não esqueça o calor da manhã independentemente de quão fria seja a noite.


Pégaso dia após dia, renove tua força para que seja sempre capaz de rasgar o céu da minha alma em poesia. Não tenha medo de alçar vôo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Let there be love.

 Quem não escuta música não tem direito de falar de Deus. Quem não se apaixona pela própria vida não tem o direito de falar de Deus. Quem não ama os próximos como a si mesmo não deve repetir as palavras de Jesus.


 Como podem pedir benção sem dançar? Dançar é uma das maiores bençãos da vida, amar é provávelmente a maior delas.( Quando eu canto eu sinto a essência divina da felicidade vibrando em minhas cordas vocais). Essas mulheres que gritam e berram para que o capeta seja amarrado na igreja deveriam apenas dar uma chance a si mesmas de serem felizes.

 Vai ver são elas que estão amarradas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O valor das experiências.

 Humildade é uma palavra chave para se entender o valor de cada experiência. Começa por não pensar que experiência é apenas um momento marcante ou uma pessoa indiferente que passou pela sua vida, mas sim cada minuto de existência desde que vivido sem medo e sem barreiras.
 O que seriam as barreiras e o medo? Medo de perceber que você não sabe nada. Medo de perceber que até mesmo aquela pessoa ignorante tem o que lhe ensinar. Barreiras que impedem que você fale com estranhos (assim evitando a conversa consigo), barreiras sociais encrustradas na personalidade moderna cristã e que não fazem sentido algum.
 É o mesmo medo que nós temos ao ver um louco na rua feliz. É aquele medo no fundo do coração de aceitar que ali reside uma felicidade verdadeira. É aquele medo que faz com que nos perguntemos o porque de termos chegado até aqui. Se você sente esses medos você não seria capaz de entender o que eu falo, faço e escrevo. Porque uma vez tendo pensado racionalmente sobre a morte autoprovocada todos os tipos de protocolos sociais perderam o sentido. Não sou nem moral nem amoral, sou paciente. Sei esperar a minha hora e escrever o que sinto. E não tenho medo das minhas potências.
 Precisamos aprender a ser humildades. Humildade em aceitar um nascer do sol como uma benção maior que ganhar na loteria. Que adiantaria todo o dinheiro do mundo e não sentir-se aquecido pelo sol? Humildade para baixarmos a cabeça quando estamos certos, pois sabemos que mais hora menos hora aquela pessoa à que falamos entenderá a nossa mensagem.
 Humildade permite que exista a esperança. Humildade de aceitar que o amanhã está tão distante quanto perto, que as coisas serão melhores e que não temos a mínima ideia do que será feito da nossa vida, sendo misteriosos os desígnios do destino. Humildade de aceitar que somos pequenos em tamanho porém majestosos em vida.
 Sendo assim, vivencio todos os momentos sem perguntar-me o porque de estar ali, e o porque das coisas serem como são. Se pudesse eu mudaria alguns fatos do passado, mas no que isso resultaria? Preciso ser humilde e aprender que eu acabei de começar a minha vida e não posso saber tanto quanto imagino saber. A verdadeira jornada começa todos os dias, dentro de cada um. E eu não sei quantos passos eu já dei hoje.

Reescrevendo.

Outrora Sábio.

  Hei de perguntar-me sempre o motivo que levou a minha vida a caminhar desta maneira. Como sabemos, o que não podemos explicar racionalmente, tentamos buscar no étero a resposta. À despeito da essência, essa eu domino bem. Sei quem eu sou. Mas nunca entendi o que são os outros, e não consigo evitar um pouco de dor ao tentar responder tal pergunta.
  Muitas vezes quem nós achamos que irá ficar ao nosso lado se vai. Isso é normal. A peculiaridade que me levou a escrever esse texto, e a repensar minha vida como um todo é que nós aprendemos muito mais com quem nos odeia do que com quem amamos. Nada representa melhor a essência de uma pessoa que aquilo que ela abomina. Acho que plagiei Nietzsche agora. Enfim, aquelas pessoas mais improváveis são as que mudaram a minha vida significativamente. Isso me deixa claro que, meu primeiro instinto afetivo deve ser meticulosamente observado, já que ele sempre erra. Aquela pessoa que sorrimos, aquela pessoa que olhamos no fundo dos olhos - ela é a potencialmente capaz de fazer você chorar.
  Calma, calma, eu não sou uma menina de 15 anos chateada com meus casinhos amorosos. Sou um homem já perto dos 20 anos e uma boa camada de gelo pelo lado de fora. E tento entender porque as pessoas que transpõe a minha camada de gelo sempre me machucam. Hoje em dia já não machucam porque embaixo da principal existe uma secundária, fortalecida por pensamentos provenientes das experiências anteriores.
  Sou um homem a procura de paz, de sabedoria. Já não procuro compania pois hoje entendo que a solidão física e emocional é tremendamente egoísta. Nunca estamos sozinhos, só quando queremos acreditar nisso. Vê-se que não há magoas em meu texto, embora meu coração esteja apertado.
  Para encerrar esse texto eu queria deixar duas coisas claro - A primeira é que eu queria que a vida tivesse pegado um cadinho mais leve, para que meus olhos expressassem felicidade mais frequentemente, embora eu ame quem eu sou. A segunda é que eu amo aqueles que me odiaram, que me ignoraram... e principalmente os que ficaram em silêncio e me transmitiram em olhar sabedoria superior a de milhares de livros.