Nós nos acostumamos a lutar e morrer em guerras que não são nossas, e depois reclamar que não realizamos os nossos sonhos. Poucas são as vontades verdadeiras, os desejos que partem do âmago e que são capazes de alterar a realidade em que vivemos. Nós somos seres fracos de vontade, normalmente persuadidos por outras pessoas a achar que algo é melhor, quando na verdade não é. O difícil é quando se acorda dessa luta maldita tarde demais, ou nunca se acorda.
Não é raro eu conhecer pessoas em meia idade ou quase no final da vida, que não conseguem achar motivo nenhum para entender porque viveram da forma que viveram. Não há sentido, remédio, palavra que cure essa dor. Essa dor de ter ficado a vida toda inerte preso aos pesadelos que a nossa malha social nos impõe, arrancando nossas asas e castrando os nossos sonhos. Liberdade? Duvido muito.
E aí o indívio se encontra lá nos seus 50 anos, casado, filhos criados ou já na faculdade e aí? E aí meu irmão, o que você fez de bom nessa vida? O que vai fazer para mudar o resto? Não adianta se separar e casar com uma mulher mais nova, não adianta comprar uma moto de 600cilindradas e atropelar os próprios sentimentos. É preciso respeitar os sinais, sinais de nossa própria consciência e buscar no fundo uma forma de rever, ou mudar o próprio caminho.
É por causa dessa guerra que uma boa parte de mim morreu. Hoje me sinto muito mais livre, totalmente independente para escolher algo que eu queira. Eu causo medo no sistema, e medo nas pessoas. Medo nas pessoas que supõe que uma coisa anule a outra, liberdade e felicidade, reciprocidade e perserverança - Não. Nós não precisamos morrer aos poucos, porque quando formos lamentar já será muito tarde.
Dedico esse texto especialmente para o Renato de Paula, que é uns do que já se libertaram.
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