domingo, 8 de abril de 2012

Nicotina.

Fumar não enquanto vício,
mas enquanto ato reflexivo.
Beijar a morte inúmeras vezes
Saborear sombrios prazeres.

Observar a vida como fumaça
Suas tantas mágoas perdidas
Nossas esperanças tão raras
E tão brutalmente finitas.

Amargo disprazer é a vida,
Já não encontro vontades
Depositadas neste cinzeiro
Que é a realidade.

Querer, sonhar, um dom raro
Saber dosar as tragadas doentias
Saber quando apagar o cigarro.

Fumar enquanto suicídio
Morre-se um pouco de nós
Vive-se um pouco deles.

Um comentário:

  1. Para quem não percebeu... as estrofes e os versos fazem a forma da fumaça do cigarro...

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