Fumar não enquanto vício,
mas enquanto ato reflexivo.
Beijar a morte inúmeras vezes
Saborear sombrios prazeres.
Observar a vida como fumaça
Suas tantas mágoas perdidas
Nossas esperanças tão raras
E tão brutalmente finitas.
Amargo disprazer é a vida,
Já não encontro vontades
Depositadas neste cinzeiro
Que é a realidade.
Querer, sonhar, um dom raro
Saber dosar as tragadas doentias
Saber quando apagar o cigarro.
Fumar enquanto suicídio
Morre-se um pouco de nós
Vive-se um pouco deles.
Para quem não percebeu... as estrofes e os versos fazem a forma da fumaça do cigarro...
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