segunda-feira, 26 de março de 2012

A vitória sobre a herança social

 Nós nos acostumamos a lutar e morrer em guerras que não são nossas, e depois reclamar que não realizamos os nossos sonhos. Poucas são as vontades verdadeiras, os desejos que partem do âmago e que são capazes de alterar a realidade em que vivemos. Nós somos seres fracos de vontade, normalmente persuadidos por outras pessoas a achar que algo é melhor, quando na verdade não é. O difícil é quando se acorda dessa luta maldita tarde demais, ou nunca se acorda.
 Não é raro eu conhecer pessoas em meia idade ou quase no final da vida, que não conseguem achar motivo nenhum para entender porque viveram da forma que viveram. Não há sentido, remédio, palavra que cure essa dor. Essa dor de ter ficado a vida toda inerte preso aos pesadelos que a nossa malha social nos impõe, arrancando nossas asas e castrando os nossos sonhos. Liberdade? Duvido muito.
 E aí o indívio se encontra lá nos seus 50 anos, casado, filhos criados ou já na faculdade e aí? E aí meu irmão, o que você fez de bom nessa vida? O que vai fazer para mudar o resto? Não adianta se separar e casar com uma mulher mais nova, não adianta comprar uma moto de 600cilindradas e atropelar os próprios sentimentos. É preciso respeitar os sinais, sinais de nossa própria consciência e buscar no fundo uma forma de rever, ou mudar o próprio caminho.
 É por causa dessa guerra que uma boa parte de mim morreu. Hoje me sinto muito mais livre, totalmente independente para escolher algo que eu queira. Eu causo medo no sistema, e medo nas pessoas. Medo nas pessoas que supõe que uma coisa anule a outra, liberdade e felicidade, reciprocidade e perserverança - Não. Nós não precisamos morrer aos poucos, porque quando formos lamentar já será muito tarde.


Dedico esse texto especialmente para o Renato de Paula, que é uns do que já se libertaram.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Cadê a certeza que antes me era abundante?

 Estou em um momento que me vejo afogado em reflexões sobre o passado e sobre o presente, parte de mim busca respostas impossíveis escondidas em algum canto-não-devastado da lógica. A outra parte busca se reafirmar nas certezas antigas, no que me é calmo e confortável. Tenho medo do novo, culpa do passado, que me fez covarde. É difícil sair da caverna e olhar para a luz. É difícil descer da torre das mágoas cristalizadas e se deixar tocar por novas experiências.
  Não sinto vontade de conhecer novas pessoas, não sinto vontade de viver novos dias... quero apenas o que me é conhecido e eterno, quero o calmo frio do inverno. Já é verão a tanto tempo que eu nem sei mais como é se sentir sereno e dono de si. O calor me perturba, com sua agitação incessante aumentada pela visão econômica do que é essa estação. Se o ano fosse um trem, eu pularia o verão – pegaria um expresso outono- e sairia direto no plano concreto.
  Eu estou enjoado... vivo um dilema entre minha vida atual e o que ela pode vir a ser, hoje me questionei novamente se eu venci a depressão. Às vezes a gente olha pro lado e quando menos percebe lá está ela tirando a graça de tudo e tornando tudo amargo e duro.
  Infrutífero este solo onde jogo minhas emoções – consigo ouvi-las caindo no chão e se partindo feito vidro barato... Até que ponto o ser humano consegue ser maltratado e continuar vivendo? Restou pouco de mim, tão pouco que eu me sinto como meia pessoa ocupando um corpo todo.