domingo, 27 de março de 2016

Um poema oral.

Conversei com teu ventre em idiomas duvidosos
Não havia entre nós, porém, diálogos e corpos
Busquei incessantemente por um ditongo
Não havia, ainda, o afã do estrondo

Como um arco sem flecha e um alvo sublime
O arqueiro idiomático em ponto máximo atinge
Cruel, retesei tuas coxas para atrasar o disparo
Naqueles segundos em que o pensar é raro

Tal como chuva em terra ardente entramos,
No lugar onde, somos mais humanos
De onde jamais deveríamos sair.

Arraigar dos prantos em rosto mundano,
No momento onde, tudo é desengano
E o prazer mais certo pode então, existir.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Homicídio amoroso em três tiros.

Tiro I.


Da silenciosa forma mística de um caminhar vazio,
Encontrei no rasgar do peito um vagar onírico,
Ora, se somos pois, apegos de um vassalo
Caminhemos os dois na marcha de um cavalo

Metálico

Encontremos a noite em sua poderosa metafísica,
Encontremos em morte sua prosa tão bonita
Que vida? Que anseio? Que dor? Que salas?
Abrem as portas em suas mandalas

Anêmicas

Até que encontremos aquele lugar calmo
E as fodas passem a ser sistêmicas
Como numa equação matemática reduzida a 1/4
Pesemos nosso medo e dormiremos por acaso.


Tiro II.

Meus mais fiéis amigos me foram explícitos,
Pare de se jogar sem antes mensurar o rio
Ah, mas da correnteza da paixão ninguém me segura
Entro em corpo frio com água quente e cara dura

Tão certo.

Sinto o cheiro de algo que já conheço,
Ignoro tão bem o aviso que me percebo
Sentimentalmente em um profundo apego
Com fungos nas paredes do desejo.

Tão sábio.

Que achei que se soubesse mesmo, faria sentido
Estaria naquela fome por algo tão proibido
Mas não, SANGRO, mas não SANGRO.
Sou espaço em pouco com um tom de espanco.


Tiro III.

Caso este poema se torne mesmo real
Que será do sentido de algo tão banal
Quanto uns beijos e uns amassos sortidos
Como num pano de confetes carcomidos.

Olha, se te digo que do peito me sai uma rajada
Tu me oferecerias um colete a prova de nadas?
Que tão solícita paixão é essa que me domina
Que tão mórfica é essa solidão que desatina

Magnífica

Em tuas coxas encontrei o nectar ferino
Provei dos medos do meu próprio destino
Sozinhos não estávamos, Nem a luz permitia
Que aquilo acontecesse sob o olhar de uma forma satírica

Pela janela.

E agora o que sou em em pedaços dessa tragédia
Que não sou mais, nem menos, que poeta.
Mas que ser algo tão pobre é não menos duvidoso
Que viver a vida toda em busca de sufoco.

O ar que me falta é o que tampaste os teus pulmões.

Bang.

Poema antigo. Decidi postar agora.

Gemidos. Teu cheiro na minha pele é poesia Filmando fractais em formas frias Teu cheiro na minha pele é poesia Cítrico e cínico suor e saliva
Teu cheiro na minha pele é liberdade Rasga a roupa e rosna rugido sublime Teu cheiro na minha pele é como tiro Arrasta o raso rio que rosna um suspiro.
Teu cheiro na minha pele é rastro De um grito gasto gemidos sátiros Sem sábio nem sádico silêncio
Teu cheiro na minha pele faz se ausente De um gosto gentil de um gesto saudoso De um sentimento senil de um corpo no outro

sábado, 19 de março de 2016

Poema de dois títulos.

Onírico/Cativo



Meu cigarro já lembra o teu gosto
doce metafísica onírica do corpo
que gravastes em minhas entranhas
E se já não fosse uma arte estranha
O que mais poderia lhe contar?

Nas horas em que te ouvias falar,
Tuas palavras como música,
E como se tudo em ti já não o fosse
Da melodia suave que me trouxe
Tudo aquilo que precisava libertar.

Tuas danças e teu jeito
Acompanhar teu sorriso perfeito
Naquele sofá junto ao meu peito
Eu me deixei, livremente, encantar.

E se neste poema eu emprego infinitivo
E mais um exemplo do que não me é mais proibido
Não preciso mencionar os corpos em erupção
Teu simples olhar já é mais que a noção,
Do que me posso, se já não sou, cativo.