Tiro I.
Da silenciosa forma mística de um caminhar vazio,
Encontrei no rasgar do peito um vagar onírico,
Ora, se somos pois, apegos de um vassalo
Caminhemos os dois na marcha de um cavalo
Metálico
Encontremos a noite em sua poderosa metafísica,
Encontremos em morte sua prosa tão bonita
Que vida? Que anseio? Que dor? Que salas?
Abrem as portas em suas mandalas
Anêmicas
Até que encontremos aquele lugar calmo
E as fodas passem a ser sistêmicas
Como numa equação matemática reduzida a 1/4
Pesemos nosso medo e dormiremos por acaso.
Tiro II.
Meus mais fiéis amigos me foram explícitos,
Pare de se jogar sem antes mensurar o rio
Ah, mas da correnteza da paixão ninguém me segura
Entro em corpo frio com água quente e cara dura
Tão certo.
Sinto o cheiro de algo que já conheço,
Ignoro tão bem o aviso que me percebo
Sentimentalmente em um profundo apego
Com fungos nas paredes do desejo.
Tão sábio.
Que achei que se soubesse mesmo, faria sentido
Estaria naquela fome por algo tão proibido
Mas não, SANGRO, mas não SANGRO.
Sou espaço em pouco com um tom de espanco.
Tiro III.
Caso este poema se torne mesmo real
Que será do sentido de algo tão banal
Quanto uns beijos e uns amassos sortidos
Como num pano de confetes carcomidos.
Olha, se te digo que do peito me sai uma rajada
Tu me oferecerias um colete a prova de nadas?
Que tão solícita paixão é essa que me domina
Que tão mórfica é essa solidão que desatina
Magnífica
Em tuas coxas encontrei o nectar ferino
Provei dos medos do meu próprio destino
Sozinhos não estávamos, Nem a luz permitia
Que aquilo acontecesse sob o olhar de uma forma satírica
Pela janela.
E agora o que sou em em pedaços dessa tragédia
Que não sou mais, nem menos, que poeta.
Mas que ser algo tão pobre é não menos duvidoso
Que viver a vida toda em busca de sufoco.
O ar que me falta é o que tampaste os teus pulmões.
Bang.
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