Não me atrevo a pedir ao vento que me traga uma rosa perfumada, pois vivo no jardim da saudade. Saudade do que não existiu, que eu não me permiti viver... saudade do que me foi roubado antes mesmo de ter saudade, só pode ser saudade pois me é tão familiar.
Esses sentimentos controlados tão frágilmente, esse aquário sempre prestes a estravazar um oceano inteiro... tiro certeiro sim, sempre no alvo errado. Porque então eu estou tão estagnado, lacrado aqui nesse frio - é verão lá fora. Queria entender a rosa que eu nunca vi, o perfume que eu nunca senti. Ainda assim me é tão familiar quanto o suor da cerveja em cima da mesa, quando o doce do chocolate na boca, essa sensação duradoura de que algo me foi injustamente surrupiado. Trouxeram-me à vida sem mais propriedades, pois me desproveram de felicidade.
Não vou chegar aqui e dizer -Eu não sou feliz. Que absurdo. Não sou daqueles que vivem em eterno luto, que comem tudo com gosto de arroz passado... eu sou novo e arrisco dizer que tenho algum vigor. Só não tenho o vigor do primeiro amor, nem a capacidade de sonhar com tais infamidades... estou largado aqui no canto. É o preço de não se vender, de não se deixar enganar por qualquer propaganda de álbum de figurinhas... sinto o cheiro da banca de jornal tão lotada de novidades revisitadas.
Eu estava esperando para escrever esse texto, pois ele é mais para mim que para os outros. Eu sinto que preciso por isso para fora, quem sabe tal qual a borboleta ao abandonar o casulo, isto se torne belo. Povoar de belas imagens o sentimento. Eu não sofro, não. Sou feliz sim moça bonita que cruza na praça às quatro da tarde. Que besteira que estou dizendo, até as crianças que mal andam sentem o peso no meu olhar. Custa tanto ser intenso, mas eu jamais poderia ser de outra maneira.
É isso, segue a vida, sua trajetória rotineira escondida nos entrespaços da nossa humilde sanidade. Sejam curtos períodos. Ou longos. Vou poupar uns paradoxos para exemplificar o meu sentimento, você leitor, neste ponto sabe exatamente do que estou falando.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Pégaso.
Eis que eu me encontro aqui novamente, subjugado pelo mais belo e imortal dos sentimentos. Amor, quantas vezes lhe maltratei em versos malcriados e revoltados com o pesar da tua ilusão. Porém hoje, o amargo dissabor da tua essência não permanece em meus lábios, tampouco em minha prosa. Hoje Amor, eu lhe farei justiça. Pois ao mesmo tempo que é cruel e amargo é também infinitamente doce e prazeroso.
Amor hoje eu reconheço que é você que faz as cordas do violão balançarem, hoje eu sei que é você que faz o arrepio percorrer o corpo e a alma, hoje eu sei que é você que faz a brisa tocar a pele e o vazio. Que sensação apavorante e ao mesmo tempo deliciosa estar sob o encanto da tua magia. Porém hoje não deixo a mágoa falar, hoje eu sei que tu elevas a minha alma ao estágio mais belo da percepção, onde até o chacoalhar do ônibus vira poesia.
Quero perceber tudo, daqui em diante, com mais amor nos olhos. Quero perceber a vida de uma forma mais suave e mais bela. Sou muito jovem para jogar uma pá de cal nos sonhos e simplesmente não me atrever a ir buscá-los. Sou muito jovem para impedir meu coração de amar, não importa quantas e quantas vezes eu venha a sangrar e sorrir. Não estou cansado nem com medo, estou disposto a sofrer o quanto for necessário, pois a recompensa de se sentir completo, aquecido e encantado vale qualquer esforço.
Por isso amor, não abandone este jovem que lhe fala. Renove sempre esse magnífico dom de se apaixonar, pois sob tua esfinge eu serei eternamente vivo, amor, não me deixe. Não deixe que eu me acovarde no canto, e que não esqueça o calor da manhã independentemente de quão fria seja a noite.
Pégaso dia após dia, renove tua força para que seja sempre capaz de rasgar o céu da minha alma em poesia. Não tenha medo de alçar vôo.
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