Há sempre uma expectativa no que diz respeito às relações sociais. Relacionar-se com as outras pessoas é uma espécie de arte teatral com ares de tragédia e gênero épico ao mesmo tempo. Somos suscetíveis aos nossos sentimentos e fragilidades mas ao mesmo tempo temos de ser invulneráveis e verdadeiros. Que arte é amar as pessoas. Que arte é amar a si mesmo. Um conhecimento infindo.
Sabedoria é algo que se acumula durante a vida. Pode ser talvez adquirida de livros ou conselhos de quem é mais experiente, mas só se faz viva quando estamos diante da situação chave, que produz em nós medos, alegrias e frustrações. Aquele que presta atenção à vida e aos próprios sentimentos sabe que a decepção é muito mais presente que a alegria e a vitória. Alegria então, é algo tão efêmero e vulgar que um bom sábio distingue a alegria do momento da felicidade de viver. Uma coisa é passageira, a outra é uma virtude. E ainda há os que confundem alegria com euforia, e passam a viver a vida como loucos desvairados.
Saber lidar com as decepções. Conhecer a solidão tão bem quanto as paredes da casa em que vive. São coisas que eu julgo necessárias para se viver com saúde. Solidão não é mais do que a soma dos egoísmos com uma autoestima pertubada. Nunca estamos realmente sozinhos, só consideramos que um ou outro indivíduo por motivos variados não devem conviver conosco. E aí ficamos cada vez mais só, criando barreiras e muros de qualidades a serem preenchidas antes de se conviver com a pessoa. E isso é péssimo pois, muitas vezes durante o convívio descobrimos coisas fantásticas e maravilhosas em pessoas que não esperávamos nada!
Engolir o orgulho. Ah, que parte difícil essa! Pedir desculpas quando se está errado, correr atrás da pessoa que se ama, fazer todo o possível para trazer o ente amado para perto. E isso inclui abrir mão de muitas coisas, fingir estar errado mesmo estando certo... E tem outra coisa que as pessoas fazem muito que é péssimo para qualquer convivência - Marcar o quanto um fez e o que o outro deve fazer - Ora, o amor deve ser espontâneo! Como é que se vai medir numa tabela quantas carícias e favores tem de um lado e do outro? Afeto não é mercadoria, não pode ser quantificado! Aprenda a conviver com isso e a dar mais do que receber, e assim o mundo será muito mais agradável.
Enfim, eu sempre acabo me surpreendendo com as pessoas. Nunca se pode achar que já sabemos tudo sobre os outros porque nunca sabemos realmente de nada. A criatura humana é magnífica devido a essa gama de atitudes e ações imprevisíveis. Entregar-se ao imprevisível, sair um pouco do casulo pode ser a melhor forma de se aproveitar a vida e a vivência com o próximo. Decepções? Faz parte.